Quando eu era criança, à noite eu ficava deitada no quintal olhando fixamente para o céu e o meu pensamento viajava até a lua e as estrelas e com elas eu conversava. Depois, seguia um questionamento: Onde ficam as estrelas durante o dia? Será que é a hora delas dormirem? Onde fica escondida a linda lua que precisa se retirar para dar lugar ao sol?

Eu tinha sempre um pensamento de que um dia meus pés iriam tocar aquela prateada lua.

Muitas noites abria a janela do meu quarto e ficava olhando a maravilhosa lua e nesse clima, me transportava para lá. Assim me imaginava, flutuando como uma pena, num balé dançante pela falta de gravidade. Dançava silenciosamente no espaço infinito.

Até que chegou o tempo em que tive o privilégio de ver o homem pisar na lua e aquilo foi tão inusitado que cheguei a pensar não ser real e sim um filme de ficção. Cuidadosamente procurei me informar e concluir de que tudo era verdadeiro e o que Neil Armstrong na missão da Apollo 11, disse ao pisar sobre a superfície da lua foi um marco histórico: “É um pequeno passo para um homem, mas um passo gigantesco para a humanidade”.

Foi quando então sonhei que um dia poderia ser astronauta, estar numa plataforma de lançamento no Cabo Canaveral para depois entrar pela porta de uma espaçonave, ouvir a contagem regressiva e daí partir para um mundo de aventura, de magia e muita emoção, seguindo ao encontro do desconhecido.

Fui envolvida pela curiosidade de saber como seria um lugar sem gravidade, onde o meu corpo ficaria flutuando. Pensar que eu estaria numa estação espacial sem respirar ar fresco vivendo os efeitos do isolamento, da radiação, da gravidade e todo o stress envolvido nessa missão, mas tudo isso valeria a pena.

Esse desejo foi crescente dentro mim e quis até me inscrever num programa de visita à lua. Então pensei será que estarei viva quando chegar a minha vez, projetando longos anos de espera numa fila onde todos teriam os mesmos questionamentos e as mesmas ansiedades: pisar na lua e viver no mundo da lua.

O céu não é o limite. Ver as estrelas, os planetas. Foi então que percebi que não me limitava mais ao mundo à minha volta que posso ver com meus próprios olhos. Queria mais era viver no espaço do que continuar aqui na terra vendo a humanidade destruindo o planeta em que vivemos e que chegará o dia que ficaremos impossibilitados de conviver num mundo deteriorado pelo homem que está destruindo o planeta terra arriscando nossa saúde, nossa segurança e nossa sobrevivência através da diminuição dos mananciais, extinção de espécies, inundações, erosões, poluição, mudanças climáticas, destruição da camada de ozônio, chuva ácida, agravamento do efeito estufa e destruição de habitats. Todos esses impactos ambientais provocados pela ação do homem. Há milhares de anos o homem vem degradando a natureza, passo a passo, através de agressões ao meio ambiente.

Ah que sonho frustrante. Tive que me contentar em ir ao planetário e ainda achar inspirador me acomodar confortavelmente nas cadeiras e olhar o espaço sideral.

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