Saudade de um tempo em que a casa era barulhenta com risadas e sons de alegria, onde todos conversavam e trocavam ideias das mais diferentes possíveis.
Na cozinha tinha um cheiro delicioso do alho que temperava a boa comida ou o aroma gostoso da comida da mamãe ou mesmo do café fresco que acabava de passar pelo coador de pano.
No prolongado aperitivo antes do almoço conversávamos sobre coisas sem importância e assuntos sérios, mas sempre abordados com muito humor e ruidosas risadas.
Na sala que encontrávamos sempre arrumada quando chegávamos, era onde relaxávamos no confortável sofá. Ao sair, deixávamos sempre um copo vazio, um prato do bolo que comíamos, um chinelo jogado embaixo do sofá que acomodou um pé cansado que ali chegou. Tudo testemunhando que por ali havia passado uma família feliz.
Lá fizemos muitas festas num repente, sem avisar e sem combinar, porque quando nos encontrávamos, havia sempre um motivo para celebrar.
Essa casa não era só de tijolos, era de harmonia, carinho e acima de tudo, muito amor.
Sinto falta daquela casa barulhenta que ficou na memória, na saudade, no passado e nos velhos álbuns de fotos impressas dos momentos registrados, agora retornando, somente na memória.
A melancolia invadiu meu momento. Saudade dos meus e de mim daquela época.
Essa era a casa dos meus pais. Há dias em que a saudade aperta tanto que sufoca meu grito, meu pranto. Saudade de tudo aquilo, saudade daquela algazarra, daquela casa barulhenta.